Resolvi arriscar e viajar no feriado de páscoa, estava com saudades da "terrinha" e da minha gente de lá. Feriado, estradas, Brasil: está aí 3 coisas que não combinam, não se dão bem e beiram o colapso. Há reportagens que prevêem o futuro de nosso trânsito, que nos apresentam estatísticas, números, todos, sem exceção, desastrosos. Para quem costuma ir a SC, pode perceber que a duplicação da BR 101 é uma piada, não anda, as obras estão abandonadas (tem algumas que o mato ja toma conta). Mas o mercado vai bem, vendendo carros a torto e a direito, a rentabilidade e a economia estão tendo orgasmos múltiplos pois todas as metas de vendas foram ultrapassadas, o brasil é um país poderoso, o brasileiro pode mais, tem mais condições, e blá... blá... blá... e eles vem aí! Todos eles estão chegando, com seus jingles muito bem produzidos e muito bem pagos aos melhores publicitários do país. Eles estão chegando e pretendem abduzir a sua inteligência e levar o seu voto para poder cumprir a sua missão: criar um colapso geral urbano, onde não se sabe se há mais crianças consumidoras de crack ou carros trancados no engarrafamento diário ou esporádico (somente nos feriados).
Penso como se daria um colapso cultural: imagine os teatros não dando conta de atender a demanda de público. Como os artistas, criadores, encenadores e demais envolvidos resolveriam este problema? Criariam sessões extras para atender a procura? Os grupos investiriam em sedes próprias para poder colocar seu repertório em cartaz? Haveriam montagens de qualidade duvidosa criadas apenas para atender a demanda? Imagine a população sedenta de cultura e os ingressos todos esgotados para os próximos 5 anos? Fica aqui a minha provocação de hoje: como você reagiria, se é que reagiria? Ou ficaria ali, ganhando sua mega bilheteria garantida, sem se incomodar?
Infelizmente, o colapso que beira a cultura é outro: o tempo passa e festivais são cancelados (informe-se sobre a picaretagem do FIT BH), teatros e cinemas são fechados, artistas e grupos são expulsos de suas sedes... e quando pensamos, ainda resta a rua (território livre e próximo do público), garotos são assassinados em praças trancafiando a população dentro de seus "apertamentos". Projetos de lei sugerem cercar os parques. Praças são cobradas $$$$ (uma pequena taxinha) em diversos estados do brasil para serem usadas como palco, para possibilitarem um contato mínimo da população com a sua cultura.
A humanidade segue em processo acelerado de emburrecimento, egoísmo e crueldade. E seus líderes vem aí, para dentro de nossas casas, em pele de cordeiro.
domingo, 4 de abril de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
Provocação terceira: quando o vinho do porto acaba.
O que fazer quando sua garrafa de vinho do porto acaba? E se ela foi um presente vindo originalmente de Portugal, dado pelo seu amor após o retorno de uma viagem? Presentes vindos da Europa são sempre mais legais, pq é da Europa, que está longe, afinal santo da casa não faz milagre desde os tempos de cristo. Não da pra comparar o vinho do porto com a "garapa" de santa catarina (minha amada terra natal).
Assim é com a arte: alguns (muitos) precisam morrer para ter reconhecimento de sua obra. Óbvio: visionários, não acompanham seu tempo e seu tempo não os acompanha. Ao visitar o Museu Iberê camargo tive uma estranha sensação: o impacto da obra arquitetônica é absurdo, o museu é lindo, nem parece que estamos em porto alegre (lembra? santo de casa?). As obras que lá estão naquelas imensas paredes brancas por vezes ficam escondidas em meio a imensidão chapada, apesar de o propósito ser o inverso. Mas sabe o que mais me chamou a atenção? as janelinhas que "emolduram" a vista do guaíba, magnífica, e que nehuma das pessoas que lá estavam, inclusive as mediadoras, deixaram de espiar. Por mais que retratemos a vida em seus mais amplos significados sensíveis e grotescos, ainda a vista do guaíba nos é fascinante e onipotente diante do gigante branco museu e do não menos grandioso iberê camargo.
E quando o vinho do porto acaba? resta a lembrança do doce sabor amargo, seu aroma, sua testura... mas seguirei firme e forte na garapa catarinense.
Assim é com a arte: alguns (muitos) precisam morrer para ter reconhecimento de sua obra. Óbvio: visionários, não acompanham seu tempo e seu tempo não os acompanha. Ao visitar o Museu Iberê camargo tive uma estranha sensação: o impacto da obra arquitetônica é absurdo, o museu é lindo, nem parece que estamos em porto alegre (lembra? santo de casa?). As obras que lá estão naquelas imensas paredes brancas por vezes ficam escondidas em meio a imensidão chapada, apesar de o propósito ser o inverso. Mas sabe o que mais me chamou a atenção? as janelinhas que "emolduram" a vista do guaíba, magnífica, e que nehuma das pessoas que lá estavam, inclusive as mediadoras, deixaram de espiar. Por mais que retratemos a vida em seus mais amplos significados sensíveis e grotescos, ainda a vista do guaíba nos é fascinante e onipotente diante do gigante branco museu e do não menos grandioso iberê camargo.
E quando o vinho do porto acaba? resta a lembrança do doce sabor amargo, seu aroma, sua testura... mas seguirei firme e forte na garapa catarinense.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
2ª Provocação: Cinema, mitos e violência.
Antes de entrar no assunto de fato, quero colocar aqui que assisti a entrevista que a Dilma deu no Super POP, programa da Luciana Gimenez. Ela citou que a proposta do PT para os próximos anos é fazer com que o Brasil torne-se efetivamente a 5ª economia do mundo (na frente de TODOS os países da Europa), mas que para isso é necessário que o povo brasileiro evolua junto, portanto a política é investir forte na educação. Ao mesmo tempo insistiu que o governo federal pretende ampliar e implantar novas creches, para que as crianças tenham contanto com uma boa formação desde cedo. Cita que, se estiverem nas creches, estarão com atividades úteis como informática, recreação e até mesmo "um teatrinho"... isso mesmo, "um teatrinho"...
Esta, provavelmente, será a próxima Presidenta de nosso país.
Sem comentários!
Fala-se muito em descentralizar a arte, realizar ações culturais na periferia, oportunizar e facilitar o acesso a bens culturais e bla bla blás semelhantes. Tive oportunidade de vivenciar isso com as sessões de cinema na Rua que o SESC realizou em Janeiro deste ano. Vivenciar mesmo. Muito ja estive na posição de falar e criticar, mas nesta ação participei do todas as etapas, e me surpreendi profundamente com o que encontrei na periferia da cidade. Fomos muito bem recebidos (com raras exceções), a comunidade marcou presença mesmo sem grande divulgação, pois uma divulgação em bairros depende de uma rede de relacionamento a ser estabelecida, onde a confiança entre as partes é o que vale. Encontrei lá pessoas com mais dificuldades do que eu, e muito mais fé na vida. Encontrei um "bebum" que sabia muito mais sobre a vida do cartola do que muitos músicos por aí, e se encontrou no documentário exibido sobre a vida do mestre sambista. Encontrei pessoas que estavam dispostas a dividir comigo suas experiências de vida, seus sentimentos, com uma franqueza tão simples quanto verdadeira. Encontrei Educação, muito mais do que nos "profissionais" que prestam serviço de atendimento em qualquer empresa / instituição deste país. Encontrei pessoas dispostas a dizer mais sim do que não, e crianças dispostas a dar amor.
O "mito" da periferia se quebrou para mim, e provoco aos que lêem este blog a experimentarem esta sensação. Um dos moradores para o qual fui apresentada, defendia o seu bairro contra a difamação da imprensa sobre ser uma das comunidades mais violentas da capital gaúcha. Realmente, a circulação de pessoas até as 23h, incluindo crianças, é de dar inveja a qualquer outro bairro de Porto Alegre, as pessoas são mais livres ali. Comprei a informação na hora!
Infelizmente, na semana seguinte ao evento, foi noticiado o assassinato de um menino de 10 anos a facadas, após a invasão da casa por usuários de crack, onde o menino ficava sozinho pois a mãe trabalhava.
Realmente Dona Dilma, você tem razão, precisamos de creches. Mas precisamos de vergonha na cara também.
Esta, provavelmente, será a próxima Presidenta de nosso país.
Sem comentários!
Fala-se muito em descentralizar a arte, realizar ações culturais na periferia, oportunizar e facilitar o acesso a bens culturais e bla bla blás semelhantes. Tive oportunidade de vivenciar isso com as sessões de cinema na Rua que o SESC realizou em Janeiro deste ano. Vivenciar mesmo. Muito ja estive na posição de falar e criticar, mas nesta ação participei do todas as etapas, e me surpreendi profundamente com o que encontrei na periferia da cidade. Fomos muito bem recebidos (com raras exceções), a comunidade marcou presença mesmo sem grande divulgação, pois uma divulgação em bairros depende de uma rede de relacionamento a ser estabelecida, onde a confiança entre as partes é o que vale. Encontrei lá pessoas com mais dificuldades do que eu, e muito mais fé na vida. Encontrei um "bebum" que sabia muito mais sobre a vida do cartola do que muitos músicos por aí, e se encontrou no documentário exibido sobre a vida do mestre sambista. Encontrei pessoas que estavam dispostas a dividir comigo suas experiências de vida, seus sentimentos, com uma franqueza tão simples quanto verdadeira. Encontrei Educação, muito mais do que nos "profissionais" que prestam serviço de atendimento em qualquer empresa / instituição deste país. Encontrei pessoas dispostas a dizer mais sim do que não, e crianças dispostas a dar amor.
O "mito" da periferia se quebrou para mim, e provoco aos que lêem este blog a experimentarem esta sensação. Um dos moradores para o qual fui apresentada, defendia o seu bairro contra a difamação da imprensa sobre ser uma das comunidades mais violentas da capital gaúcha. Realmente, a circulação de pessoas até as 23h, incluindo crianças, é de dar inveja a qualquer outro bairro de Porto Alegre, as pessoas são mais livres ali. Comprei a informação na hora!
Infelizmente, na semana seguinte ao evento, foi noticiado o assassinato de um menino de 10 anos a facadas, após a invasão da casa por usuários de crack, onde o menino ficava sozinho pois a mãe trabalhava.
Realmente Dona Dilma, você tem razão, precisamos de creches. Mas precisamos de vergonha na cara também.
domingo, 31 de janeiro de 2010
1ª Provocação
Violentamente assistimos a desistência da sociedade brasileira em sua cultura.
Violentamente...
Mas qual a responsabilidade do artista nisso? Os artistas se perguntam por que as pessoas não vão mais ao teatro, penso que a pergunta hoje é "O que as afasta do Teatro?" O que acontece com a Arte Contemporânea que afasta o público de si?
Talvez falte algum sentido... Em um mundo sem sentidos. A sociedade está perdida procurando algo que provoque a sua sensibilidade, que a atinja no âmago de suas emoções. Não precisamos mais de artistas / atores pelados, gritando, uivando... isso já não impacta mais como já o fez. Precisamos de artistas / atores que trabalhem para atingir o seu sensível, antes de tentar atingir o dos outros. É cansativo e chato assistir a uma exposição ou espetáculo de teatro, dança, música, cinema ou qualquer outra manifestação que surja por aí, quando o artista não encontra a sua verdade. Há um grande número de casos como esse, e isso afasta o público. Não estou falando de ser didático, "panfletário" ou maniqueísta. O artista deve saber o que quer atingir em si mesmo e nos que o assistem. E isso dá sentido, mesmo sem fazer sentido algum. Parece simples e óbvio talvez, mas encontrar este "fio da navalha" é privilégio de poucos.
Minha provocação aqui é para os artistas: reflitam, repensem se estão realmente preparados para sua arte, ou ela para você. É claro que é necessário colocar o seu "na reta", afinal é só na prática e no contato com o público que o artista evolui. Mas é necessário mais trabalho e menos ego, dessa forma o público irá cansar menos, e talvez volte a sentir-se tentado a deleitar-se em sua cultura.
Violentamente...
Mas qual a responsabilidade do artista nisso? Os artistas se perguntam por que as pessoas não vão mais ao teatro, penso que a pergunta hoje é "O que as afasta do Teatro?" O que acontece com a Arte Contemporânea que afasta o público de si?
Talvez falte algum sentido... Em um mundo sem sentidos. A sociedade está perdida procurando algo que provoque a sua sensibilidade, que a atinja no âmago de suas emoções. Não precisamos mais de artistas / atores pelados, gritando, uivando... isso já não impacta mais como já o fez. Precisamos de artistas / atores que trabalhem para atingir o seu sensível, antes de tentar atingir o dos outros. É cansativo e chato assistir a uma exposição ou espetáculo de teatro, dança, música, cinema ou qualquer outra manifestação que surja por aí, quando o artista não encontra a sua verdade. Há um grande número de casos como esse, e isso afasta o público. Não estou falando de ser didático, "panfletário" ou maniqueísta. O artista deve saber o que quer atingir em si mesmo e nos que o assistem. E isso dá sentido, mesmo sem fazer sentido algum. Parece simples e óbvio talvez, mas encontrar este "fio da navalha" é privilégio de poucos.
Minha provocação aqui é para os artistas: reflitam, repensem se estão realmente preparados para sua arte, ou ela para você. É claro que é necessário colocar o seu "na reta", afinal é só na prática e no contato com o público que o artista evolui. Mas é necessário mais trabalho e menos ego, dessa forma o público irá cansar menos, e talvez volte a sentir-se tentado a deleitar-se em sua cultura.
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