Antes de entrar no assunto de fato, quero colocar aqui que assisti a entrevista que a Dilma deu no Super POP, programa da Luciana Gimenez. Ela citou que a proposta do PT para os próximos anos é fazer com que o Brasil torne-se efetivamente a 5ª economia do mundo (na frente de TODOS os países da Europa), mas que para isso é necessário que o povo brasileiro evolua junto, portanto a política é investir forte na educação. Ao mesmo tempo insistiu que o governo federal pretende ampliar e implantar novas creches, para que as crianças tenham contanto com uma boa formação desde cedo. Cita que, se estiverem nas creches, estarão com atividades úteis como informática, recreação e até mesmo "um teatrinho"... isso mesmo, "um teatrinho"...
Esta, provavelmente, será a próxima Presidenta de nosso país.
Sem comentários!
Fala-se muito em descentralizar a arte, realizar ações culturais na periferia, oportunizar e facilitar o acesso a bens culturais e bla bla blás semelhantes. Tive oportunidade de vivenciar isso com as sessões de cinema na Rua que o SESC realizou em Janeiro deste ano. Vivenciar mesmo. Muito ja estive na posição de falar e criticar, mas nesta ação participei do todas as etapas, e me surpreendi profundamente com o que encontrei na periferia da cidade. Fomos muito bem recebidos (com raras exceções), a comunidade marcou presença mesmo sem grande divulgação, pois uma divulgação em bairros depende de uma rede de relacionamento a ser estabelecida, onde a confiança entre as partes é o que vale. Encontrei lá pessoas com mais dificuldades do que eu, e muito mais fé na vida. Encontrei um "bebum" que sabia muito mais sobre a vida do cartola do que muitos músicos por aí, e se encontrou no documentário exibido sobre a vida do mestre sambista. Encontrei pessoas que estavam dispostas a dividir comigo suas experiências de vida, seus sentimentos, com uma franqueza tão simples quanto verdadeira. Encontrei Educação, muito mais do que nos "profissionais" que prestam serviço de atendimento em qualquer empresa / instituição deste país. Encontrei pessoas dispostas a dizer mais sim do que não, e crianças dispostas a dar amor.
O "mito" da periferia se quebrou para mim, e provoco aos que lêem este blog a experimentarem esta sensação. Um dos moradores para o qual fui apresentada, defendia o seu bairro contra a difamação da imprensa sobre ser uma das comunidades mais violentas da capital gaúcha. Realmente, a circulação de pessoas até as 23h, incluindo crianças, é de dar inveja a qualquer outro bairro de Porto Alegre, as pessoas são mais livres ali. Comprei a informação na hora!
Infelizmente, na semana seguinte ao evento, foi noticiado o assassinato de um menino de 10 anos a facadas, após a invasão da casa por usuários de crack, onde o menino ficava sozinho pois a mãe trabalhava.
Realmente Dona Dilma, você tem razão, precisamos de creches. Mas precisamos de vergonha na cara também.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
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